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A história dos municípios dessa região se confunde com os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, que trouxeram Antonio Agú (pioneiro-fundador de Osasco) e Henrique Sammartino (pioneiro-fundador do município), imigrante italiano que adquiriu em 11 de abril de 1912 glebas de terra dos proprietários Nicola Beneducci e Miguel Samarone, e deu a elas o nome de Sítio das Palmeiras, devido à existência de grandes palmerias nativas existentes no local.
Em 1925 a E.F. Sorocabana inaugura um posto de abastecimento de carvão chamado "km 32". Em 20 de março de 1931, foi inaugurado o posto telegráfico, que significou o embrião da pequena Vila Jandira, pertencente ao município de Cotia. Nos anos 50, Jandira é elevada a distrito de Cotia. No dia 25 de janeiro de 1951, é fundada a União Pró-Jandira, entidade criada para trabalhar pela emancipação. Em 1958, há uma tentativa de anexação de Jandira a Barueri, por meio da lei de número 170/53 de 28 de abril de 1958,chamada de lei Quinquenal, mas a União Pró-Jandira luta pela emancipação, tornando Jandira município no dia 8 de dezembro de 1963, por meio de um plebiscito, sendo homologado em 28 de fevereiro de 1964 pelo governador Adhemar de Barros. Em 7 de março de 1965, toma posse o primeiro prefeito de Jandira, Oswaldo Sammartino, filho do pioneiro Henrique Sammartino.
Educação
As primeiras escolas rurais de vila Jandira eram pequenas salas de aula improvisadas em casas alugadas, sempre muito distantes umas das outras. Em 1922, foi criada a primeira delas, chamada de escolinha do km 32, em um grande casarão colonial localizado em uma chácara às margens do rio Barueri Mirim, de propriedade de Hipólita Santana de Figueredo. A primeira instituição de ensino oficial foi o Instituto José Manuel da Conceição (que encerrou suas atividades em 1969), tendo sido inaugurado em 8 de fevereiro de 1928.
Nos anos 30 foi constituída a primeira instituição pública de ensino, a Escolinha Mista da parada Jandira. Na década de 1950, Jandira ganha mais 2 escolas, sendo a última um galpão de madeira localizada na praça Dr. Nilo de Andrade Amaral (hoje praça Anielo Gragnano). Essa escola era a mais importante do distrito, recebendo o nome de Grupo Escolar Professor Vicente Themudo Lessa. Em 1966, o Grupo Escolar já estava saturado, sendo necessária a construção de um anexo no jardim das Palmeiras, até a construção do Centro Educacional de Jandira (atual EE Professor Vicente Themudo Lessa) em 1973.
Hoje, Jandira conta com 14 escolas estaduais, sendo que seis são compartilhadas, 17 escolas municipais, 08 creches, (Estadual e Municipal) uma unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Escola SENAI Professor Vicente Amato CFP 1.27, fundada em 25 de maio de 1994), um Pólo da Universidade Abertal do Brasil (UAB) (parceria com instituições de Ensino Superior do Governo Federal) e uma instituição particular de Ensino Superior (Faculdade Eça de Queiroz - FACEQ).
Estação Jandira da CPTM
O distrito de Jandira contava com rústicas estradas de terra batida, muitas das quais abertas por Henrique Sammartino desde sua chegada em 1912, onde carros de boi exerciam a função de transporte da produção dos sítios da região para ser comercializada na estação de Barueri. Com o crescimento da extração de lenha para as locomotivas a vapor da Estrada de Ferro Sorocabana, os carros de boi passaram a transportar lenha para a estação de Barueri, até março de 1925, quando a Sorocabana instalou um posto telegráfico no distrito. Dois anos depois a Sorocabana iniciou a construção de uma estação (inaugurada em 20 de março de 1931) e de um desvio, em terreno doado por Henrique Sammartino, para transportar lenha, a produção agrícola e tijolos de sua olaria. Esse desvio mais tarde seria desmontado e sua área se tornaria a parte inicial da 1ª rua do distrito, a Rua Conceição Sammartino.
Na década de 1940 inicia-se um tímido crescimento urbano que iria se intensificar nas 3 décadas seguintes. Algumas imobiliárias começaram a lotear as áreas do pequeno distrito, sendo que em 1946 chega a Jandira o primeiro topógrafo, José Albino Pereira, que inicia a demarcação de ruas e loteamentos. Nessa mesma época começam a aparecer os primeiros automóveis e caminhões (que iriam substituir os carros de boi) e assim impulsionaram a abertura de novas ruas. Nos anos 50 é inaugurada pela Sorocabana a estação Coração de Jesus (atual estação Sagrado Coração). Entre 1948 e 1956 a Light instala a instalação da rede elétrica no distrito.
Com a emancipação político administrativa de Jandira em 1964, a cidade ganha uma nova estação ferroviária (construída em 1962), além de um departamento de trânsito: o SERMJ (Serviço Municipal de Estradas de Rodagem de Jandira). A construção da Auto Pista Oeste (atual rodovia Castelo Branco) impulsionou o crescimento industrial do município. Até 1972 Jandira não possuía rede telefônica o que obrigava seus moradores se utilizarem dos telefones públicos de Barueri. Em 20 de dezembro desse ano é inaugurado pela Companhia Telefônica Brasileira o primeiro telefone da cidade, localizado na praça Anielo Gragnano, sendo inaugurada posteriormente pela Telesp (atual Telefonica) a central telefônica de Jandira, ao lado da escola estadual professor Vicente Themudo Lessa.
Em 1973 é inaugurada pelo estado a Via de Acesso SP-032/280 "João de Góes’’, ligando a rodovia Castelo Branco ao município. Em 1977 a empresa Benfica Barueri Transporte e Turismo inicia a operação das linhas de ônibus municipais, partindo da praça Anielo Gragnano para os bairros de Sagrado Coração, Jardim Grabriela e Parque Santa Tereza. Em 1976 é inaugurada, pelo governo do estado, a rede de abastecimento de água além de um reservatório localizado no Jardim Sorocabano, capaz de atender a maior parte da cidade. O restante da cidade, incluindo o distrito industrial do Jardim Alvorada recebeu a rede de abastecimento de água em abril de 1983.
Nos anos 80 é construída a Via Expressa Mauri Sebastião Barufi ligando Jandira a Itapevi, o centro de Jandira é reorganizado com inauguração dos novos prédios das estações Jandira em 1983 e Sagrado Coração (em 1987) e do Terminal Rodoviário Intermunicipal em 1986 (atualmente denominado Reverendo Virgílio dos Santos Rodrigues).
Apesar desses avanços, o acesso á rodovia Castelo Branco e ao distrito industrial era feito utilizando-se a passagem de nível sobre os trilhos da ferrovia, o que ocasionava muitos acidentes. Com isso é iniciada a construção de um viaduto sobre os trilhos da Fepasa em 1988, sendo concluídas as obras 10 anos depois. Nos anos 90 a cidade inaugura a estrada intermunicipal Barueri – Itapevi, localizada na região sul de Jandira e a sub-estação de eletricidade Sagrado Coração da Eletropaulo, que garante o abastecimento elétrico na cidade. No projeto da estrada intermunicipal estava inclusa a construção de um novo terminal intermunicipal de ônibus que iria ser concluído em 2002.
Famílias Pioneiras
FAMÍLIA GÓES
Chegou por volta de 1904 o Sr. Benedito Calungas de Góes e sua esposa dona Maria Dias Vieira com alguns filhos ainda pequenos, adquiriram extensa áreas de terras, o chamado “Sítio do Itaquí, ou Sítio Góes”, ficava onde hoje é a zona industrial, posteriormente vendido aos padres Salesianos, mais precisamente no local das indústrias. João de Góes (filho de Benedito Góes) se destacou especificamente por ter aberto em 1937 uma venda na estrada velha de Itú, antigo Jardim Bom Pastor. Ficava junto ao sítio dos padres salesianos. Na vida política, João de Góes foi candidato a vice-prefeito pela coligação (PSP-PR-PL) na chapa de Clécio Soldé, na primeira eleição do município em 7 de março de 1965. Ele era um homem alegre, dedicado e prestativo, era ele quem cuidava e orientava as festas para alegrar o povo do distrito, uma vida inteira dedicada as pessoas. João de Góes faleceu em 31 de agosto de 1975.
FAMÍLIA LEITE
Em 1909 mudou-se para Jandira o Capitão João Domingues Leite e sua mulher dona Saturnina Dias Leite e aqui nasceram seus filhos: Pedrina, João, Benedito, Querino, Pedro, Maria, Belmiro e Tereza. Todos eles residiram nas terras que futuramente passariam a ser distrito de Cotia e posteriormente o município de Jandira.
FAMÍLIA YAMAMOTO
Massao Yamamoto, o patriarca da família, com 6 anos de idade (1930) mudou-se com sua família para Jandira, onde alugou terras do colégio J.M.C para plantação, morando numa casa de barro coberta com sapé. Massao desde criança tinha verdadeira adoração por máquinas, motores e era fascinado pelo movimento do relógio, interesse que o fez tornar-se o primeiro cidadão jandirense dedicado a mecânica. Por volta de 1942 nacionalizou-se brasileiro e serviu o Tiro de Guerra de Quitaúna- São Paulo. Adquiriu um terreno na atual avenida Conceição Sammartino onde construiu a primeira oficina mecânica de Jandira, sendo que nessa época haviam apenas três automóveis em Jandira. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele e seu irmão Jorge adaptaram um motor para gerar energia ao colégio J.M.C, os moradores de Jandira buscavam em Massao a resolução para seus problemas com relógios, bombas d’água, de encanamentos a brinquedos. Ajudava na construção de casas, socorria pessoas levando-as ao hospital, a ausência de farmácias no distrito também fez dele uma espécie de enfermeiro, a quem muita gente procurava para aplicação de injeções e outros socorros. Massao Yamamoto faleceu em 18 de julho de 1976, deixando uma lição de dedicação e trabalho.
EGÍDIO JOAQUIM DE OLIVEIRA
Veio para Jandira quando pequeno, herdou grande parte das terras de seu pai que sempre trabalhou na lavoura, quando adulto ingressou no quadro de funcionários da estrada de ferro sorocabana, em 1944 aposentou-se em virtude de um acidente ferroviário, mas não parou de trabalhar, montou uma olaria no bairro do Sagrado Coração, em suas próprias terras, foi quando ajudou com doações de tijolos várias instituições sendo um dos grandes responsáveis pelo progresso de Jandira.
FAMÍLIA SANTOS
Leopoldino dos Santos veio residir em Jandira aos oito anos em 1936, ele sempre foi considerado o orador oficial da cidade, graças a seu dom da oratória e a sua bela entonação vocal. Lutou pela emancipação de Jandira, era considerado o historiador oficial da cidade, título este dado pelo Jornal região Oeste, através do Jornalista profº Daniel Deusdedit Peluso.
FAMÍLIA BALHESTERO
João Balhestero em 1937 trabalhou em terras arrendadas por Sammartino, plantando arroz, feijão, batatas e outros produtos. Mais tarde abriu uma casa de comércio, o segundo em Jandira, instalado por muitos anos onde era a antiga olaria de Sammartino, e onde hoje está o Banco Bradesco.
FAMÍLIA BURGER
Jorge Burger Júnior veio para Jandira em 1935, trabalhou na Sorocabana por 30 anos, pela emancipação e sempre incentivou as pessoas a comprarem lotes de terras em Jandira. Gostava muito de caçar e pescar.
FAMÍLIA CEZAR
Victor Cezar chegou no distrito em 1939, comprou um sítio onde fez plantações de uva, figo e outras culturas. Em 1955 resolve dividir suas terras em dois grandes loteamentos, que hoje são os bairros de Jardim Marília e Vila Analândia. Cidadão de grande influência, contribuiu muito com os primeiros sub-prefeitos na construção de novas estradas, pontes, e escolas rurais, ajudando também na alimentação dos estudantes pobres.
FAMÍLIA PIRES DE OLIVEIRA
Por volta de 1914 chegava vinda de Cotia a família Pires de Oliveira. O Sr. Mathias Pires de Oliveira e sua esposa dona Maria Vieira Gonçalves, adquiriram um sítio, o “Sítio das Pitas”, onde desenvolveram a agricultura.
Mathias Pires de Oliveira e dona Maria Vieira Gonçalves, tiveram dez filhos nascidos em Jandira: Adão, Benedita, José, Otávio, João, Jesus, Lucinda, Anésia, Francisca e Leontina. Em 1912, Mathias Pires trafegava por estas terras, vindo de Cotia com destino a São Paulo, transportando em carros de boi, gêneros alimentícios para abastecer os centros consumidores de SP. Mathias Pires e seus filhos eram caçadores, adoravam caçar pacas no sítio do Egydio. Após sua morte, suas terras foram divididas entre seus filhos, sendo que o único que manteve a propriedade intacta foi o Adão, sua terra está localizada entre os bairros do Jardim Belmont, Vila Rolim e Vila Mercedes. O último herdeiro de Mathias Pires de Oliveira, Sr. Adão veio a falecer no dia 27 de fevereiro de 2007.
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